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Massa de Modelar

09/05/2016

Quando criança, meu pai só me dava brinquedos que pudessem estimular minha imaginação. Livros interativos, quebra-cabeça, jogo da memória, palavras-cruzadas, tinta, giz de cera e, principalmente, massinha de modelar… Coisas com as quais eu poderia viver de imaginar.

Eram brinquedos que se modificavam pelas minhas mãos, e conforme a minha vontade. Assim, eles podiam ser todos os brinquedos. Eles eram toda a criação, todas as penas de todas as asas com as quais uma criança pode voar na imaginação. Eu tinha lego, almanaques, discos de histórias, massa de modelar…

Meu pai me dava esses brinquedos para que eu não achasse que precisava ter tudo e trocar tudo o que tinha por brinquedos novos. Pois meus brinquedos seriam sempre novos, se eu assim desejasse. Da massinha, eu tinha um elefante ou um leão. Do giz de cera, um circo ou uma estrela. Meu pai sabia das coisas. Ele era uma cara de essencialidades… Ele me fez aprender a ter o que eu tinha, me fez aprender a querer o que já era meu. Assim, eu aprendi a não me seduzir por qualquer coisa só porque era uma coisa nova. Assim, eu aprendi a extrair a novidade do mesmo. Talvez por isso eu saiba manter uma relação longeva, amizades longevas…

Se hoje eu sei repetir, com gosto, o que já tenho, é porque aprendi que as melhores coisas se modelam na base da vida. É porque aprendi que é, da essência das mesmas coisas, que brotam as melhores novidades… O que tenho hoje, fui eu quem modelei. E é por saber reinventar o que tenho, que eu tenho tanto. Se reformulo as superfícies, é mantendo as bases…

 Meu pai me deixou uma grande herança: me ensinou que o molde da felicidade brinca na essência de nossas mãos.

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