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No giro do amor

31/08/2016

          Às vezes a gente vai atrás de um amor e quebra a cara. Uma, duas, três, quatro vezes. Não importa o quanto damos com os “burros n’água”, continuamos correndo atrás do amor. O que fazer se o amor é maior que nossa tolerância?, que nossa paciência? Nem nossa vontade lógica de sair de um caso falido nos acalma a vontade que temos de amar. Nem os comentários de que somos loucos varridos nos paralisa diante do fato de que amamos e, quando amamos, amamos amar. Apostamos no amor porque ele nos impele, nos põe à frente do mundo, à frente da distância, à frente do tempo. E como se nossas pernas carregassem um corpo que tanto busca, buscamos o amor até nas pessoas erradas. Ou não. Ou amamos a pessoa certa e, aí, não tem erro! O fato é que a gente vai atrás do amor independente da pessoa que queremos. É o amor que está por trás de quem não presta e de quem presta também. Porque o amor encanta, fascina. Ele tem dessas peculiaridades. É capaz de nos fazer mais do que somos; capaz de nos fazer poder mais do que podemos. No amor e no amar não há segredos. O mistério é a própria resposta. Sofrer de amor é só uma conseqüência de quem ama. E quem nunca amou loucamente que atire a primeira pedra e me diga que estou completamente enganada e que não sei nada do amor. Pode ser… Mas a verdade é que ninguém sabe. Ninguém sabe de onde ele veio ou pra onde ele vai quando nos deixa a cama e a alma vazias. Todas as oportunidades que eu tive de ir atrás do amor, eu fui. Não me arrependo. Até quando sofri amarguradamente arrependida, continuo sem me arrepender. Meu sofrimento valeu aquele amor, ainda que aquele indivíduo não valesse nada. Fazer o quê, se meus ventos me sopram assim?, pra esse além-mar?! Por amor, corri atrás da chuva. Por amor, tremi no frio do desamparo. O amor tem dessas fomes, dessas sedes. E se o futuro do amor é incerto, e daí?! O amor é como a vida: ninguém sabe onde começa nem por que termina. E, quer saber?! Quem vive de certezas é porque ainda não nasceu. E quem não nasceu nunca girou na roleta do amor. Porque se tivesse girado, saberia que o amor cabe nos maiores riscos. Saberia que o amor se esconde nas menores apostas. Nesse jogo, cabem mais números e cores do que no infinito. A única coisa que não cabe é o medo. O medo de amar é a única coisa que não cabe no amor.

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