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Compreendendo os donos da verdade

11/09/2018

Abram alas, minha gente, abram alas. Chegaram os donos da verdade. Abram alas. Eles precisam passar. Há uma multidão de ignorantes. E esses somos nós. Sim, para os donos da verdade a verdade de todos é uma grande mentira. Só a deles é que vale. Só a deles é que é verdade. Não sabem que o mundo é vasto. Que a vida é complexa. Que tudo, tudo, sem exceção, pode ser olhado por outro ângulo. E por acaso um ângulo que eles não alcançam. Mas os perdoem. Não podemos culpar alguém que não sabe da sua própria ignorância. Não podemos querer que todos enxerguem as coisas pela mesma luz. Entenda, é preciso que essas pessoas existam. Para que nós possamos aprender a conviver até com quem não sabe conviver. Sim, eu sei, é desafiador. Sim, eu sei, nos exige uma paciência enorme. Mas tá aí, esse é o nosso desafio espiritual. Elas são o teste que vai nos dizer o quão preparados nós estamos para exercer nossa compaixão, para deixarmos de lado o nosso ego. Sim, eu sei o que você vai dizer: que elas acham que a vida é um palco e que nós somos sua plateia. Sim. E daí? E daí se elas precisam ter os olhares voltados para si? E daí se elas precisam ter o centro e não suportam a ideia da borda? Entenda, elas necessitam desse aplauso. Isso para elas é como o ar… Então, deixe seu ego de lado. Bata palmas quando elas falarem. Entenda, não é por mal, elas precisam disso. Elas são carentes. Elas não aprenderam a conviver. A entender. A incluir. A incluir a vida no vasto roll de coisas que podem ser de muitos jeitos e não só de uma maneira. Mas no fundo, acredite, elas são pessoas boas. Sim, eu sei, você vai dizer: “mas elas precisam mesmo conversar na forma de monólogos?!”. Sim, precisam. Elas precisam falar sozinhas para escutarem a sua própria voz. Sim, elas necessitam da última palavra, precisam ser a sentença final.  Mas, entenda… Isso foi só um modo que elas encontraram de buscarem uma maneira de se afirmarem nessa existência. No final, tudo o que elas buscam é um: “é, é verdade, você tem razão”. É só disso que elas precisam. Elas precisam crer que têm razão. Porque ter razão, para elas, é sinal de que elas são melhores em alguma coisa, é sinal de que elas são amadas, de que elas estão certas e por isso são aceitas. Então ótimo. Resolvido. Porque você não precisa ter razão. Você só precisa ter paz. E compaixão. Quando elas chegarem, deixe sua arma no coldre. Olhe para elas como quem percebe alguém que ainda não percebeu o mundo que gira ao seu redor. Não dá, queridos. Quem só consegue ver o próprio umbigo, não tem olhar para fora. E por isso nunca vai entender a maneira diversa de o mundo se perceber. Entenda que se você for duelar com ela não vai adiantar. Ela só vai se armar ainda mais. Só vai se encher ainda mais dessa verdade que ela possui porque precisa possuir. Trata-se de uma espécie de apego. Se ela se desapegar disso é quase como se ela se despreendesse dela. E isso, para uma identidade frágil, é quase que despencar de um abismo. Então, siga conforme manda o figurino da peça em que elas vivem. Bata palmas. Finja que concorda e depois saia de perto. De fininho. Sem raiva, sem irritação, sem rancor. Saia apenas com o silêncio de quem compreendeu que essa pessoa ainda não está pronta para abrir mão de seus medos, de seus apegos, de seu ego. Saia apenas com o silêncio de quem compreendeu  que essa pessoa ainda não está espiritualmente pronta para, a leveza da existência, poder compreender.

 

*Crédito da Foto: Samuel Austin.

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