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Prisioneiro Doméstico

08/10/2016

         Trabalhava viajando. Depois do primeiro assalto, trocou as portas de compensado do apartamento por umas de madeira maciça. Depois do segundo, convenceu o condomínio a instalar cercas-elétricas no prédio. Depois do terceiro, colocou uma barra de ferro nas portas. Depois do quarto, instalou um alarme sonoro. Depois do quinto, chamou o eletricista. Instalou um sistema de acender e apagar as luzes aleatoriamente, de modo a fingir que tem gente em casa. Depois do sexto, comprou um cachorro. Depois do sétimo, enterrou o cachorro. Depois do oitavo, botou grades em todas as janelas. Depois do nono, pediu demissão. Sem viajar, virou vigia do lar. Depois do décimo, virou refém. Depois do décimo primeiro, comprou uma arma. No primeiro tiro, silenciou a irmã. Maluca, quem mandou me visitar no meio da noite?! Foi levado pra delegacia. De lá pro juiz. Do juiz pra prisão. Nunca em sua vida de cárcere, dormira tão bem.

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