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Lágrimas

01/11/2016

        Chorar é uma coisa que todo mundo, por mais durão que seja, já fez. Todos nós já choramos ou ainda choraremos. Por desilusão, por saudade, por perda, por alegria. Chorar limpa a alma. Ajuda o peito a esvaziar uma dor, a extravasar uma emoção que não cabe em si. Chorar, apesar de ser molhado, nos desencharca de um sentimento que está no limite do transbordar. Quando estamos tristes, choramos e não há nada de sobrenatural nisso. Mas há algo de muito doido e inexplicável naquilo que representa o choro: as lágrimas… De onde vêm as lágrimas? Por que quando choramos, pingamos? As lágrimas são a saída de algo que nos compõe, a água. Quando vazamos pelos olhos o elemento que mais temos no corpo, é sinal de que alguma coisa ultrapassou nossa barreira de matéria e, com força, tocou-nos num ponto muito denso. Mas as lágrimas não são só tristezas partindo de nós. Choramos também por coisas boas. Deixamos rolar as gotas salgadas quando experimentamos situações que nos tocam fundo, que nos emocionam. Lágrimas são sinal de pureza, de beleza, de encontro. Lágrimas aparecem em altas gargalhadas, em músicas tocantes, em cenas de filmes, em paisagens divinas, em declarações de amor… Lágrimas são cumes de sentimentos que explodem como vulcões ativos, que precisam sair do que há debaixo de toda a carne, que precisam se materializar em algo que o corpo seja capaz de produzir, ainda que não seja capaz de entender. Quando algo nos lacrimeja é porque nos atingiu no ponto mais sublime, no ponto mais anti-matéria do ser.

       Lágrimas são o corpo dizendo as palavras indecifráveis da alma…

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