Poemas

Errantes

01/12/2016

Nenhuma palavra me diz o que sou. Nenhum conto o que fui. Nenhum romance o que serei… Se somos hoje, poderemos continuar amanhã. Nós sem mais um, mais dois, três…  Nós somos apenas: eu e você.

Quero ser amante, amiga, mulher… Não me peça só a esposa.

Quero ser paquera de praia, ficada de boate, rolo de verão, lareira de inverno, vida a dois, alma a um,

em comum

em diferente

em desacordo

em desacato

Com dois ser livre pra ser par de um

Ou revolucionar: ser ímpar em par.

Quero tomar chuva quando der na telha

E quando der pra dar no telhado: Ótimo!

Quero pular por seus galhos e conhecer seus ramos, faces, todas

Em suas raízes-genealógicas, perder meus botões de pele.

Na repartição do seu corpo, divisão de peitos, braços, pernas e olhar,

Olhar seu sorriso de sexo em lábio de boca.

Quero ser seu espelho, ver meu rosto no seu refletir, sentir o seu pensar

Sem cobranças, só estar…

Tudo preto no branco

Moreno no loiro

Ou indefinição de tom

Um colorido meio borrado

No quadro inteiro cinza da vida

Comprometida

Lado a lado

Por hoje, amanhã, por ontem

Sem hora marcada

Sem certeza de tempo

Sem certeza de que somos certos

E, se acaso não formos,

sejamos erro!

E erremos pra sempre

Errantes juntos…

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