Textos Viagens/Vivências

Lisboando #6

09/10/2017

Na busca por apartamentos para alugar a longo prazo. Lisboa vem se tornando uma capital muito visada pelo turismo e, com isso, o aumento do valor dos imóveis, venda e aluguel. Um disparo no coração. Esperava um valor, nada disso, o teto agora é outro. Realmente, o fato de até a Madonna ter vindo morar aqui não me ajudou em nada. Tudo subiu muito. O custo dos apartamentos para alugar está além do que eu poderia imaginar. Bom, paciência. Talvez não dê pra ficar na zona lisboana, talvez eu tenha que partir para um lugar um pouco mais longe. Mas o fato é que o longe daqui não é o nosso longe. Um trajeto de meia hora ou quarenta minutos aqui é uma distância continental pra eles. Já pra nós, brasileiros, acostumados com outras distâncias, com outro tipo de tráfego, de engarrafamentos colossais, de transportes públicos que mal nos atendem, pra gente, meia hora é o tempo mínimo de qualquer viagem em qualquer grande centro. Ok, ok. Nos adaptamos. Ok, ok. Nos rearrumamos. O chato de tudo é a expectativa. Mas quem mandou a gente as criar, né? Expectativa é sempre uma coisa frustrante, já que nada nesse mundo supre aquilo que imaginamos. Nada na realidade pode se equiparar àquilo que nós pintamos por dentro. Então, mais um ensinamento. Obrigada, Universo, por me ensinar a parar de sofrer. Ainda mais por coisas tolas. Não, me recuso. Aceito o destino. Se ser humilde é receber os trilhos da vida, estou aberta, sou flexível, gosto de viver ao léu. Novamente. Seguindo. Encontrei um corretor de imóveis. Luís. O português mais brasileiro que já conheci. Em um só dia cometeu todas as infrações de trânsito. “Dizia: por esta via não se pode seguir, mas se nos pararem, dizemos que não sabíamos”. Só rindo. Mas é uma pessoa legal. Se dispôs a nos ajudar a encontrar o nosso novo lar. Bem-humorado. Fomos a alguns imóveis. Não. Não. Não. É, buscas exigem paciência. E eu sou dessas que crê que, para cada não que chega, fica-se mais perto de um sim. Otimista, tola, utopista, ufanista. Tanto faz. Não importa. Prefiro manter-me sonhadora, escritora, dessas que acreditam, dessas que preferem os dias de sol. Uma hora o que for para ser meu aparecerá. Aí, a gente comemora. Enquanto isso, seguimos na labuta, pois colocar a realidade nas mãos é o que precisamos para edificar nossas metas. Não há sonhos que se realizem sem prática. E vamos curtindo Lisboa. Percebendo-a. Desvendando-a. Reaprendendo-a. Ressignificando-a. Choramos? Sim, sim. Chorar faz parte do riso. Chorar faz parte do caminho, até mesmo para aliviar o peito. O choro nos liberta um pouco do que nos oprime, do que nos machuca. E, claro, dia após dia, vamos lutando contra o sentimento de solidão e contra as saudades que estão sempre buscando o rosto de nossa pátria em outros mares. Mas sabemos, com todo o coração, que qualquer começo, adaptação, mudança nos vai sempre exigir uma sólida vontade de reconstrução.

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